Tem mais licitação aberta no Ceará do que no Rio de Janeiro. Na leitura das 5h33 de 15 de setembro de 2026, o Ceará tinha 1.845 licitações com proposta aberta e o Rio, 1.716. E o Rio ainda ficava atrás do Paraná, de Santa Catarina e da Bahia.
No topo, São Paulo, com 7.244 das 46.623 abertas no país. Isso dá 15,54%, que a própria página de números arredonda para 16%: um estado sozinho concentra dezesseis por cento de tudo que está aberto para proposta agora.
Os dados são da página de números da LicitaCerta (https://licitacerta.com.br/numeros/estados), lida em 15 de setembro de 2026, com carimbo de atualização das 5h33 daquela manhã. A base é alimentada pelo PNCP, o Portal Nacional de Contratações Públicas.
Como fica o ranking dos estados
Esta é a ordem completa dos dez primeiros colocados, pela contagem de licitações com proposta aberta:
1. São Paulo — 7.244 2. Minas Gerais — 6.920 3. Rio Grande do Sul — 5.617 4. Paraná — 4.166 5. Santa Catarina — 3.665 6. Bahia — 3.219 7. Ceará — 1.845 8. Rio de Janeiro — 1.716 9. Goiás — 1.569 10. Pernambuco — 1.267
Minas Gerais quase encosta em São Paulo: 6.920 contra 7.244, uma diferença de 324 licitações. Do terceiro colocado em diante a distância abre. O Rio Grande do Sul fecha o pódio com 5.617.
Por que o Rio de Janeiro aparece só em oitavo
O estado do Rio de Janeiro tinha 1.716 licitações com proposta aberta nessa leitura. É menos de um terço das 5.617 do Rio Grande do Sul e menos de um quarto das 7.244 de São Paulo.
Passam na frente dele, pela contagem, o Paraná (4.166), Santa Catarina (3.665), a Bahia (3.219) e o Ceará (1.845). Um estado do Sul com população menor, um do Nordeste e o Ceará aparecem antes do Rio na fila de compras públicas abertas.
Vale ser exato sobre o que esse número é: a página traz contagem de licitações, não valor financeiro. Dizer que São Paulo ou o Paraná "compram mais" em dinheiro que o Rio não está sustentado por essa fonte. O que está sustentado é quantidade de oportunidades abertas para proposta.
O que a concentração significa para quem vende
Somados, os dez primeiros estados ficam com 37.228 das 46.623 licitações com proposta aberta. São 79,8% do país concentrados em dez unidades da federação. As outras dezessete dividem os 20,2% restantes.
Para quem fornece ao poder público, isso é um mapa de onde a demanda está no momento da leitura. Um fornecedor que só olha o próprio estado e mora fora dos dez primeiros está diante de uma fatia pequena do que existe aberto. E quem está no Rio e acha que "aqui tem muita licitação" está trabalhando com um quinto do volume paulista.
O que esses números não dizem
Três limites importam, e nenhum deles é detalhe:
A conta é de um horário específico. O carimbo é 15/09/2026 às 5h33. Licitação abre e fecha o dia inteiro. O ranking de amanhã é outro, e o de hoje à tarde provavelmente já mudou nas casas menores.
Não há série histórica na fonte consultada. Não dá para afirmar se a concentração de São Paulo subiu ou caiu, nem se o Rio já esteve em posição melhor. O retrato é de um instante, não de uma tendência.
O critério de "proposta aberta" não está explicitado na página. Qual a janela de datas, quais modalidades entram, se dispensa conta ou não — nada disso aparece na leitura. Os números são internamente consistentes (a soma dos dez primeiros bate com o percentual informado), mas o recorte exato de cada um fica sem definição pública.
Some-se a isso que os números são da base da LicitaCerta, alimentada pelo PNCP, e que não foi feita uma conferência independente contra o PNCP nesta apuração. Tudo aqui vale como retrato dessa base, naquele horário.
Uma formulação que circulou na triagem desta pauta — "São Paulo sozinho compra mais que a metade do país somada" — não se sustenta e por isso não entrou. São Paulo tem 7.244 de 46.623. É 15,5%, não metade. O número verdadeiro já é grande o bastante.