O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios Mineiros (CODEMM) fechou uma compra de R$ 33.500.000,00 em verdura registrada no sistema como um único item, sem indicação de peso ou volume.
O CODEMM é um consórcio público, CNPJ 55.071.775/0001-40, com situação cadastral ativa no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o sistema onde órgãos públicos brasileiros publicam suas compras. A compra em questão tem o número de controle 55071775000140-1-000020/2026.
O que foi comprado?
O item 10 dessa compra aparece cadastrado no PNCP com o nome "Verdura in natura". Não há especificação de qual verdura, em que embalagem ou forma de entrega — o nome do item para exatamente aí.
A quantidade registrada para esse item é 1, na unidade de medida "unidade". Não é 1 quilo nem 1 tonelada: é o lote inteiro fechado como um item só, segundo os dados abertos da API do PNCP.
Quanto custou?
O valor estimado no edital era R$ 33.924.318,34. O edital foi publicado no PNCP em 10 de junho de 2026.
Treze dias depois, em 23 de junho de 2026, o item foi homologado para a empresa NTB Comercial de Alimentos LTDA, CNPJ 13.656.358/0001-19, pelo valor de R$ 33.500.000,00 — abaixo da estimativa inicial.
Por que não dá para saber o preço por quilo?
Porque a quantidade cadastrada no PNCP para esse item é "1 unidade", sem detalhamento de peso ou volume. Isso significa que, a partir dos dados abertos disponíveis, não é possível calcular quanto custou cada quilo ou cada entrega da verdura comprada.
Isso não indica, por si só, que a compra foi cara, barata ou irregular. Indica apenas que o registro público, do jeito que está estruturado, não permite essa conta.
O que ainda não foi confirmado?
O objeto textual completo do edital, a modalidade de licitação usada e a data de abertura da sessão de disputa não puderam ser confirmados. O endpoint do PNCP que traria o detalhe completo da compra ficou fora do ar em múltiplas tentativas de consulta, e a página pública do portal não expôs esses campos.
Esses pontos não entram como afirmação neste texto — ficam registrados como o que não deu para confirmar.
O que fica
Os números centrais do caso — CNPJ e razão social do CODEMM, o nome e a quantidade cadastrada do item, o valor estimado, o valor homologado, o fornecedor vencedor e as duas datas — vêm diretamente da API de dados abertos do PNCP, não de estimativa ou declaração de qualquer das partes.
O que fica em aberto é estrutural: um sistema público de compras permite fechar um contrato de R$ 33,5 milhões com a quantidade do produto registrada como "1 unidade", sem peso nem volume verificável por quem consulta o dado depois.