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Licitação de R$ 328,8 milhões em Alagoas para manutenção predial: o que diz o edital no PNCP

Mercado04/09/2026

A Agência de Modernização da Gestão de Processos (AMGESP), autarquia do governo de Alagoas com sede em Maceió, publicou no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) um pregão eletrônico de manutenção predial com valor total estimado de R$ 328.878.584,21. É o Pregão Eletrônico nº 31, edital "Edital PE 90.199-2026 ass.pdf", processo administrativo 04105.0000001792/2024, publicado em 23 de julho de 2026. Até 4 de setembro de 2026, nada foi contratado nem pago.

Quem é a AMGESP?

É uma autarquia estadual de Alagoas, CNPJ 07.424.905/0001-38, registrada no PNCP como unidade EAL-AGENCIA DE MODERNIZACAO DA GEST. PROCESSO, código 925998, em Maceió.

Segundo a página institucional do próprio Governo de Alagoas, a atribuição da AMGESP é executar as compras de materiais e a contratação de serviços do Estado, além de administrar contratos de combustível, locação e manutenção de veículos, água, esgoto, telecomunicações, serviços terceirizados e passagens aéreas. Ou seja: ela é o órgão que compra para os outros órgãos.

Isso aparece também na estrutura registrada no portal. Sob o mesmo CNPJ há 29 unidades administrativas ativas cadastradas no PNCP, entre elas a SEDUC, o DETRAN-AL, a UNCISAL, a UNEAL, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a SEPLANDE, a SEADES, a SEMARH, a SERIS e o Tribunal de Contas do Estado.

A base legal de criação da agência ficou fora deste texto de propósito. As fontes consultadas divergem sobre qual lei delegada criou a AMGESP, e o site próprio da agência não respondeu na consulta de 4 de setembro de 2026.

O que exatamente está sendo licitado?

Não é uma compra fechada. É um registro de preços, marcado no PNCP com o campo de sistema de registro de preços ativo.

O objeto publicado é o registro de preços para futura e eventual contratação de empresa especializada em serviços contínuos de engenharia, para manutenções prediais preventivas e corretivas, com fornecimento de mão de obra, materiais, equipamentos e insumos. A modalidade é pregão eletrônico, o modo de disputa é aberto e o amparo legal declarado é o art. 28, inciso I, da Lei 14.133/2021.

A diferença importa. Registro de preços fixa um teto de quantidade e preço para contratações futuras, não obriga a administração a comprar tudo. O número de R$ 328,8 milhões é uma estimativa publicada no edital, não uma despesa realizada.

Como os R$ 328,8 milhões se dividem?

Em cinco itens, e eles não têm o mesmo tamanho:

- Item 1: R$ 63.205.252,10 - Item 2: R$ 107.438.214,51 - Item 3: R$ 29.386.980,00 - Item 4: R$ 49.832.137,60 - Item 5: R$ 79.016.000,00

A soma dos cinco fecha exatamente os R$ 328.878.584,21 do valor total estimado. O maior lote é 3,6 vezes o menor.

Cada item aparece no portal com a mesma descrição, "Manutenção / Reforma Predial", e quantidade de 1 unidade. O critério de divisão dos lotes e quais prédios entram em cada um não constam da consulta pública do PNCP. Esse detalhamento fica no Termo de Referência anexo ao edital, que não foi extraído nesta apuração.

Por que o critério de julgamento muda a conta?

Nos cinco itens, o critério registrado é maior desconto, não menor preço.

Isso significa que a disputa acontece sobre o valor estimado publicado: vence quem oferecer o maior abatimento sobre ele. Na prática, o preço contratado tende a ficar abaixo dos R$ 328,8 milhões que aparecem hoje no portal. De quanto será esse desconto, não há como saber pela fonte, porque o certame ainda não tem resultado registrado.

De onde vem o dinheiro?

As fontes orçamentárias declaradas na compra são duas: estadual e federal. O registro marca que não há emenda parlamentar envolvida.

O orçamento não é sigiloso. É por isso que o valor estimado de cada um dos cinco lotes está aberto para qualquer pessoa consultar antes mesmo de o certame terminar.

Em que pé está o processo?

O edital foi publicado no PNCP em 23 de julho de 2026. As propostas abriram em 24 de julho, às 8h, e encerraram em 11 de agosto, às 9h.

Depois disso, o registro parou. A situação da compra continua como "Divulgada no PNCP". O valor total homologado é nulo. O campo que indica existência de resultado está como falso. Os cinco itens seguem "Em andamento", todos sem resultado. A última atualização do registro é de 23 de julho de 2026, às 9h27.

Quer dizer: passaram-se mais de três semanas do encerramento das propostas e o portal não mostra nenhuma movimentação nova.

O que o portal não responde?

Vale listar, porque a ausência aqui é informação:

- Quem venceu o certame, se é que já há vencedor. - Qualquer valor efetivamente contratado ou pago. - A ata de registro de preços resultante. - A lista de prédios, o escopo de cada lote e os preços unitários de serviço, que estão apenas no Termo de Referência. - Se o pregão foi concluído, suspenso ou impugnado após 11 de agosto de 2026. O registro não foi atualizado desde 23 de julho.

Um edital aberto com valor estimado alto vira notícia com facilidade, e é aí que o número costuma ser lido errado. R$ 328,8 milhões é o teto estimado de um registro de preços em aberto, com julgamento por maior desconto e sem resultado publicado. Não é dinheiro gasto.

Todos os dados deste texto vêm do PNCP, na página pública do edital e nas APIs de consulta da compra, dos itens, dos arquivos e das unidades do órgão, e da página institucional da AMGESP no portal do Governo de Alagoas. Consultas feitas em 4 de setembro de 2026. Número de controle PNCP: 07424905000138-1-000219/2026.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), dados abertos.

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