O Município de Astorga, no Paraná, homologou em 17 de julho de 2026 um registro de preços de R$ 556.000,00 para 40.000 quilos de pão francês e pão de leite. A conta do próprio edital previa R$ 794.150,00. A diferença é de R$ 238.150,00, ou 29,99% abaixo do estimado, e os três itens do pregão foram para uma padaria da própria Astorga. Ao preço registrado, o pão francês de 50 gramas sai a R$ 0,70 a unidade.
Os dados são do Pregão Eletrônico nº 021/2026 (Compras.gov 90021/2026), processo administrativo nº 058/2026, publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) em 12 de junho de 2026. Modalidade pregão eletrônico, modo de disputa aberto, critério de menor preço, sob a Lei 14.133/2021.
O que a prefeitura de Astorga comprou
Tecnicamente, nada ainda. O objeto do certame é registro de preços para eventuais contratações de fornecimento de produtos panificados, pão francês e pão de leite, assados, com entrega diária nos locais indicados pela Administração Municipal. Registro de preços é uma ata: fixa quanto vai custar o quilo do pão se o município pedir, com vigência de 12 meses, prorrogável por igual período. O edital diz na cláusula 10.2 que a existência de preços registrados não obriga a Administração a contratar.
São três itens, todos medidos em quilograma:
- 5.000 kg de pão francês de 35 g, estimado a R$ 19,50/kg, homologado a R$ 14,00/kg - 30.000 kg de pão francês de 50 g, estimado a R$ 19,50/kg, homologado a R$ 14,00/kg - 5.000 kg de pão de leite de 50 g, estimado a R$ 22,33/kg, homologado a R$ 13,20/kg
A queda foi de 28,2% nos dois itens de pão francês e de 40,9% no pão de leite.
Quanto é 40.000 quilos de pão
O Termo de Referência do edital estima aproximadamente 2.550 pães entregues por dia. Pelos pesos descritos nos itens, 5.000 kg a 35 gramas mais 35.000 kg a 50 gramas dão cerca de 842.857 pães ao longo dos 12 meses, número compatível com os 2.550 diários do próprio edital (2.550 x 330 dias = 841.500).
Astorga tinha 25.475 habitantes no Censo Demográfico 2022 do IBGE. Os 40.000 quilos registrados dão 1,57 quilo de pão por morador em um ano.
Quem come esse pão
Não é só a merenda escolar. O item 4.1 do Termo de Referência lista nove secretarias atendidas: Administração, Educação, Serviços Públicos, Saúde, Obras, Desenvolvimento Humano Social, Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Políticas Públicas para Mulher, Idosos e Pessoas com Deficiência, além das "demais unidades que necessitarem do objeto". Pão de prefeitura vai para escola, posto de saúde e canteiro de obra.
A regra de entrega é de padaria, não de licitação. As entregas começam às 04h00 e terminam até as 07h30, com prioridade para as unidades escolares e os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), por causa dos horários fixos de alimentação dos alunos. E os produtos precisam ser assados no dia da entrega. Nada de véspera.
O edital também veda a subcontratação total ou parcial do objeto, com a justificativa de rastreabilidade e controle higiênico-sanitário de alimento perecível de consumo imediato. Quem ganhou, assa.
Por que Astorga parou de fazer o próprio pão
O município já produzia parte do que consumia, na Central de Alimentos de Astorga. A prefeitura escreveu no item 3.2 do Termo de Referência que a compra de pão pronto se mostrou mais vantajosa que o modelo anterior de produção parcial, com menor custo global e maior eficiência operacional. A quantidade de 40.000 quilos foi estimada pelo consumo de 2023, 2024 e 2025.
Quem venceu o pregão
Os três itens foram homologados em 17 de julho de 2026 para o mesmo fornecedor, em primeiro lugar de classificação: SOLANGE M P DA SILVA PADARIA LTDA, CNPJ 12.684.609/0001-06, microempresa. Pelo cadastro da Receita Federal, é a Padaria Prandi, com sede na própria Astorga, ativa desde 5 de outubro de 2010, CNAE principal de fabricação de produtos de panificação industrial e capital social de R$ 300.000,00.
Os totais homologados ficaram em R$ 70.000,00 no pão francês de 35 g, R$ 420.000,00 no de 50 g e R$ 66.000,00 no pão de leite.
Quanto sai o pãozinho
Fazendo a conta do preço por quilo homologado sobre os pesos unitários descritos no edital: o pão francês de 50 gramas sai a R$ 0,70, o de 35 gramas a R$ 0,49 e o pão de leite de 50 gramas a R$ 0,66. Esses valores por unidade não estão escritos no edital, são cálculo direto sobre os dados oficiais.
O que não dá para dizer sobre esse pregão
Registro de preços não é dinheiro gasto. Em consulta à API do PNCP em 8 de setembro de 2026, o endpoint de atas dessa contratação respondeu 204, sem conteúdo: não havia ata publicada, nem contrato, nem empenho vinculado ao pregão. Quanto dos R$ 556.000,00 virou entrega e pagamento, não dá para afirmar com o que está publicado.
Outras três coisas ficaram sem resposta na apuração. Como a prefeitura chegou aos R$ 19,50/kg e R$ 22,33/kg estimados: a pesquisa de preços do Estudo Técnico Preliminar não está entre os arquivos anexados ao PNCP, só o edital e a relação de itens. Quantas empresas disputaram e por quanto: o PNCP publica apenas o resultado do vencedor, e a ata da sessão está no Compras.gov, que não foi consultado aqui. E se R$ 14,00 o quilo de pão francês está acima ou abaixo do praticado no varejo de Astorga ou em outras prefeituras: não há comparação apurada.
A Prefeitura de Astorga e a Padaria Prandi não foram procuradas. Nenhuma parte contesta os números, que saíram todos de documento público.
Fonte: PNCP, contratação 75743377000130-1-000090/2026, consultada em 8 de setembro de 2026, em https://pncp.gov.br/app/editais/75743377000130/2026/90