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O que vender em janeiro: as prefeituras já compram para o ano letivo

Por , fundador do LicitaCerta

Como vender22/10/2026

Quem quer pedido em janeiro precisa cotar agora, porque as prefeituras já estão comprando para o ano letivo de 2027. O PNCP traz editais de kit escolar, material pedagógico, uniforme e merenda para 2027, e só no ramo de papelaria eram 569 licitações com proposta aberta na leitura de 21/10/2026, segundo o LicitaCerta.

Você conhece o roteiro. Dezembro vende bem, o cliente gasta o décimo terceiro, e aí chega janeiro. A rua esvazia, metade da clientela viajou e a outra metade está pagando IPVA, IPTU e a lista de material dos filhos. O aluguel não tira férias e o fornecedor quer o boleto em dia. A saída de sempre é promoção, anúncio e ligar para os mesmos clientes torcendo para alguém precisar de alguma coisa.

Enquanto o balcão esvazia, um comprador faz a lista com meses de antecedência e a publica na internet: a prefeitura. Para a escola abrir com caderno na mesa e comida no prato, a secretaria de educação precisa ter comprado antes. Por isso os editais para 2027 estão saindo agora, em outubro e novembro de 2026.

Um comprador que avisa antes o que vai comprar

O governo compra todo dia e, antes de comprar, publica o que quer. A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021, manda divulgar o "inteiro teor do ato convocatório e de seus anexos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP)" (art. 54). O PNCP é aberto a qualquer pessoa. Na página do ramo de papelaria, o LicitaCerta contou 2.906 licitações com itens de papelaria publicadas de 2 de julho a 29 de setembro de 2026, abertas por 815 órgãos e somando R$ 327,7 milhões em valor estimado (papelaria).

A outra diferença está no tempo que o pedido dura. Vários dos editais para 2027 citados aqui usam ata de registro de preços: a prefeitura faz o pregão uma vez, registra o preço de quem venceu e vai pedindo ao longo do ano. A lei diz que "O prazo de vigência da ata de registro de preços será de 1 (um) ano e poderá ser prorrogado, por igual período, desde que comprovado o preço vantajoso" (Lei 14.133, art. 84).

Um exemplo ilustrativo: uma papelaria que vence em novembro o item de caderno de uma ata municipal pode entregar um lote em janeiro, outro em março e outro em agosto, conforme a escola for pedindo, enquanto a ata valer.

O que as prefeituras já pediram para 2027

Uma busca no PNCP em 22/10/2026 por "kit escolar 2027" e "material escolar 2027" trouxe editais com proposta aberta do Nordeste ao Sul. Em Santa Cruz do Capibaribe (PE), a prefeitura faz registro de preços para "aquisição parcelada de KITS ESCOLARES 2027", com valor estimado de R$ 3.968.696 e propostas até 30/10/2026 (edital no PNCP). Em Sousa (PB), o pregão de kits escolares e materiais pedagógicos para o ano letivo de 2027 estima R$ 1.978.087,16, com propostas até 05/11/2026 (edital no PNCP).

O pedido nem sempre é grande. Quarto Centenário (PR) quer kits escolares para distribuir aos alunos da rede municipal em 2027, com valor estimado de R$ 33.716,75 e propostas até 06/11/2026 (edital no PNCP). Pedido desse tamanho cabe na conta de muita loja pequena.

A escola também compra além do caderno. Imbituba (SC) registra preço de mochilas, bolsas, estojos, copos e babadores personalizados para o ano letivo de 2027, com R$ 686.419,45 estimados (edital no PNCP). O Fundo Municipal de Educação de Limoeiro (PE) abriu um pregão de kit escolar de R$ 1.826.362,03 (edital no PNCP) e outro de fardamento, tênis e sandália infantil para 2027, de R$ 1.669.168,27 (edital no PNCP). Quem vende roupa ou calçado tem onde procurar nas páginas de artigos do vestuário e de calçados.

Ituverava (SP) deixa o calendário escrito no próprio objeto: registro de preços de materiais escolares e de expediente "PARA O ANO DE 2027, DE FORMA PARCELADA, POR 12 MESES", com R$ 1.281.669,78 estimados (edital no PNCP). Esses valores são a estimativa do órgão no edital. O preço que vale sai na disputa.

O dinheiro da merenda tem data para chegar

Na alimentação escolar, o calendário do dinheiro é público. Pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar, o FNDE repassa às prefeituras e secretarias estaduais os recursos federais "em até 8 parcelas anuais, entre os meses de fevereiro e setembro". O valor sai do número de alunos matriculados multiplicado por 200 dias letivos e pelo valor por aluno (FNDE, PNAE). O primeiro repasse pode cair em fevereiro.

A regra do programa manda aplicar "no mínimo, 30% do valor dos recursos federais" na compra direta da agricultura familiar (FNDE, PNAE). O restante pode ir para pregão de gêneros alimentícios, como o de Serranópolis do Iguaçu (PR), que estima R$ 711.897,95 em alimentos para a merenda do ano letivo de 2027, com propostas até 04/11/2026 (edital no PNCP). Mercadinho, distribuidora e atacado de alimentos podem conferir a página de produtos alimentícios.

Como chegar a janeiro com o preço registrado

O caminho tem quatro passos. Primeiro, procure no PNCP o seu produto junto com "2027", como "kit escolar 2027", "uniforme escolar 2027" ou "merenda 2027", e filtre pelos editais que estão recebendo proposta. Outros caminhos estão em onde encontrar licitações abertas.

Depois, abra o edital e veja em qual portal a disputa acontece. O PNCP mostra o edital, mas o lance é dado no sistema que a prefeitura escolheu. Nos exemplos acima aparecem o Compras.gov.br, o BNC e o Portal de Compras Públicas. O cadastro do fornecedor é feito nesse portal, antes da data da sessão, e no Compras.gov.br passa pelo SICAF.

Em terceiro lugar, leia o termo de referência antes de pensar em preço. Ali estão descrição, quantidade, prazo e local de entrega. Colombo (PR), por exemplo, registra preço de materiais de apoio pedagógico, agenda e estojo escolar com entrega ponto a ponto para todos os alunos da rede municipal no ano letivo de 2027 (edital no PNCP), o que pesa no custo do frete. Confira também se o edital pede amostra e quais papéis entram na habilitação, com a ajuda do guia de documentos para licitação.

Por último, monte o preço olhando a referência do mercado público. A página de papelaria do LicitaCerta mostra o valor unitário mediano praticado nos editais de julho a setembro de 2026: R$ 10 na fita adesiva, R$ 8 na pasta arquivo, R$ 12 na cola e R$ 9 na caneta esferográfica (preços de referência). A unidade muda de edital para edital (peça, caixa, pacote), então compare com o seu custo na mesma unidade, some frete e imposto e veja se a conta fecha antes do lance.

O que a lei reserva para a empresa pequena

Microempresa e empresa de pequeno porte têm uma vantagem escrita em lei. A Lei Complementar 123 manda a administração realizar "processo licitatório destinado exclusivamente à participação de microempresas e empresas de pequeno porte nos itens de contratação cujo valor seja de até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)" (LC 123, art. 48, I). Em regra, quando o item vale até esse limite, a disputa fica entre empresas do seu porte. O guia de ME e EPP em licitação mostra as exceções.

Nada disso garante pedido. A disputa é por preço, e a ata registra o compromisso de quem vendeu sem prender quem compra: pela Lei 14.133, os preços registrados geram "compromisso de fornecimento nas condições estabelecidas, mas não obrigará a Administração a contratar" (art. 83). O que muda é o calendário: quem cota em outubro e novembro disputa a demanda de 2027 antes de janeiro chegar.

Para ver se há edital aberto para o que você vende, digite o CNPJ na consulta grátis do LicitaCerta. Sem cadastro, ela mostra o que o governo comprou do seu ramo.

Perguntas frequentes

Preciso ter loja de papelaria para vender kit escolar?

Em geral, o que o edital confere é a documentação da empresa: se está em dia com impostos e se a atividade do CNPJ combina com o que está sendo comprado. O guia de documentos para licitação lista o que costuma ser pedido.

Ainda dá tempo de entrar nas compras para 2027?

Na busca de 22/10/2026 no PNCP, os editais citados aqui recebiam proposta até datas entre 30/10 e 06/11/2026, e prefeituras como Sousa, Ituverava e Limoeiro publicaram os seus em 21/10/2026. Cadastro no portal e leitura do edital levam tempo, então comece pelo cadastro.

A ata obriga a prefeitura a comprar tudo?

Não. Pela Lei 14.133, a ata gera "compromisso de fornecimento nas condições estabelecidas, mas não obrigará a Administração a contratar" (art. 83). Ela vale 1 ano, prorrogável por igual período (art. 84). Mais detalhes em ata de registro de preços.

Quando a prefeitura paga?

Depois da entrega e da conferência do material, no prazo que o edital ou o contrato fixar. O guia de pagamento do governo mostra as etapas.

Fontes

Editais consultados no PNCP em 22/10/2026; Programa Nacional de Alimentação Escolar, FNDE; Lei 14.133, de 1º de abril de 2021; Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006; página de papelaria do LicitaCerta, leitura de 21/10/2026.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), dados abertos.

Licitações desse ramo, todo dia

Veja o que os órgãos públicos costumam comprar e quem tem vencido:

Comércio Varejista de Artigos de PapelariaComércio Atacadista de Artigos de Escritório E de Papelaria

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