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O que vender para ganhar dinheiro: o que o governo mais compra hoje

Por , fundador do LicitaCerta

Como vender18/10/2026

Se o faturamento sobe e desce e você procura o que vender, comece pelo que o governo já está comprando. Na leitura do LicitaCerta de 18/10/2026, feita no PNCP, havia 43.043 licitações com proposta aberta no país, e os itens mais pedidos eram fita, papel, água, luva e cabo, como mostra a lista dos itens mais comprados.

Quem busca o que vender costuma estar cansado de uma rotina conhecida: um mês bom, dois fracos, três clientes que respondem por quase todo o faturamento e anúncio que traz curioso e pouca venda. A pergunta por trás da busca é onde existe alguém comprando com frequência, sem precisar convencer um cliente de cada vez. Pouco dono de empresa pensa na prefeitura, no hospital estadual ou na universidade federal.

O que o governo está comprando agora

O LicitaCerta lê o PNCP, o Portal Nacional de Contratações Públicas, e os dados abertos do compras.gov.br todo dia útil. Das 43.043 licitações abertas na leitura de 18/10/2026, 20.011 traziam a lista de itens publicada. Nesse grupo, fita aparecia em 1.055 licitações, papel em 960, água em 935, luva em 907 e cabo em 896. Cada um desses cinco nomes estava em cerca de 5% das licitações com itens publicados, segundo a página de itens.

A lista segue com óleo (862), placa (782), mesa (769), tubo (743), suporte (737), aparelho (733), porta (655), cadeira (650), saco (606), pasta (580), álcool (562), ácido (545), escova (525), filtro (521) e detergente (498). Boa parte é material que acaba e precisa ser comprado de novo, como papel, luva, álcool e detergente, segundo os rankings do LicitaCerta.

Um cuidado na leitura: cada nome junta itens diferentes. Fita pode ser fita adesiva, fita crepe ou fita para impressora; cabo pode ser cabo elétrico, cabo de rede ou cabo de vassoura. A decisão sai da descrição do item no edital.

Para ver um caso concreto: na mesma leitura, a página de licitações de papelaria mostrava 551 licitações abertas no ramo. Uma delas era um pregão eletrônico da Prefeitura de São Sebastião do Anta (MG) para registro de preços de papel sulfite A4, com valor estimado de R$ 869.500 e propostas até 19/10/2026.

Por que o governo compra diferente de um cliente comum

O primeiro ponto é a frequência. Com dezenas de milhares de licitações abertas ao mesmo tempo, sempre há algum órgão comprando, e o prazo para entrar é curto: metade das licitações abertas em 18/10/2026 fechava em até 11 dias, e 8.464 fechavam nos três dias seguintes, segundo a página de prazos. Quem olha uma vez por mês chega depois que boa parte já fechou.

O segundo ponto é que o governo avisa o que vai comprar. A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021 e em vigor desde a publicação, diz no art. 54 que a publicidade do edital é feita "mediante divulgação e manutenção do inteiro teor do ato convocatório e de seus anexos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP)". Na prática, qualquer pessoa pode ler o edital antes de decidir se vale disputar, na busca de editais do PNCP.

O terceiro ponto é a duração. Muitas dessas compras saem por registro de preços, como o pregão de papel sulfite citado acima: o órgão escolhe o fornecedor e o preço e vai pedindo conforme precisa. Pelo art. 84 da Lei 14.133, "O prazo de vigência da ata de registro de preços será de 1 (um) ano e poderá ser prorrogado, por igual período, desde que comprovado o preço vantajoso". Para serviços e fornecimentos contínuos, o art. 106 permite contratos "com prazo de até 5 (cinco) anos".

Isso muda a conta de quem vive correndo atrás de cliente, mas sem garantia de pedido. O art. 83 da Lei 14.133 diz que os preços registrados implicam "compromisso de fornecimento nas condições estabelecidas, mas não obrigará a Administração a contratar". A ata coloca a empresa como fornecedora por meses, e o volume depende do que o órgão pedir. O guia sobre ata de registro de preços explica como isso funciona para quem fornece.

A parte reservada para micro e pequena empresa

Na leitura de 18/10/2026, 524 licitações abertas eram exclusivas para micro e pequenas empresas. O Rio Grande do Sul liderava com 201, seguido de Santa Catarina com 90 e Minas Gerais com 83, segundo a página de licitações exclusivas para ME e EPP. Nessas disputas, empresa de grande porte fica de fora.

A reserva também aparece dentro de editais abertos a todos, item por item. A Lei Complementar 123, no art. 48, I, diz que a administração pública "deverá realizar processo licitatório destinado exclusivamente à participação de microempresas e empresas de pequeno porte nos itens de contratação cujo valor seja de até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)". O inciso III manda estabelecer, na compra de bens de natureza divisível, "cota de até 25% (vinte e cinco por cento) do objeto para a contratação de microempresas e empresas de pequeno porte".

Essas regras continuam valendo nas licitações feitas pela lei atual. O art. 4º da Lei 14.133 diz que se aplicam a elas "as disposições constantes dos arts. 42 a 49 da Lei Complementar nº 123". O guia sobre ME e EPP em licitação detalha o que muda na disputa para quem tem esse porte.

Como comparar a lista com o que você vende

Primeiro, pegue a lista de itens e marque o que você já vende ou consegue revender com margem. Uma papelaria olha papel e pasta; uma loja de material elétrico olha cabo, fita isolante e suporte; um distribuidor de limpeza olha luva, saco, álcool e detergente. Depois, abra alguns editais desses itens no PNCP e leia a descrição técnica, a quantidade, o local e o prazo de entrega. É ali que você descobre se o preço que pratica no balcão fecha a conta com frete e com o prazo de pagamento do órgão, assunto do guia sobre pagamento do governo.

Em seguida, confira se o objeto do contrato social da empresa cobre o item. O art. 66 da Lei 14.133 diz que a documentação de habilitação jurídica se limita "à comprovação de existência jurídica da pessoa e, quando cabível, de autorização para o exercício da atividade a ser contratada". Na prática, o edital costuma pedir o ato constitutivo, e o agente de contratação ou pregoeiro olha se a atividade registrada combina com o que está sendo comprado. Se a sua empresa vende material de escritório e quer disputar luva de procedimento, converse com o contador antes: pode ser preciso incluir a atividade no contrato social e no CNPJ, e o edital informa se o produto precisa de registro em órgão sanitário.

Um exemplo ilustrativo: uma distribuidora de produtos de limpeza com três clientes fixos vê que luva, saco, álcool e detergente aparecem em centenas de licitações abertas. Ela acha um registro de preços de uma prefeitura a 80 km, confere que o contrato social cobre os itens e que consegue entregar no prazo, e só então monta a proposta. Se perder, vê no resultado da licitação o preço vencedor e ajusta a próxima; se ganhar, passa a ter mais um comprador enquanto a ata valer.

Para quem nunca disputou, os guias sobre como participar de licitação e documentos para licitação mostram cadastro e papéis, e o guia sobre se vale a pena vender para o governo ajuda a pesar regras, prazo e concorrência.

Quer ver se o seu CNPJ combina com o que o governo compra? Na consulta grátis do LicitaCerta, você digita o CNPJ, sem cadastro, e vê o que os órgãos públicos já compraram do seu ramo. Se quiser acompanhar dali em diante, o LicitaCerta avisa no WhatsApp só as licitações que combinam com o que a sua empresa vende, item por item, nos 27 estados.

Perguntas frequentes

O que o governo mais compra hoje?

Na leitura de 18/10/2026, entre as 20.011 licitações abertas com itens publicados, os itens que mais apareciam eram fita (1.055), papel (960), água (935), luva (907) e cabo (896). A lista completa de 20 itens está na página de itens e muda conforme novas licitações abrem e fecham.

Preciso ser micro ou pequena empresa para vender ao governo?

Não. Qualquer empresa que cumpra o edital pode disputar as licitações abertas a todos. Ser ME ou EPP dá acesso às disputas exclusivas, que pela Lei Complementar 123 incluem os itens de até R$ 80 mil, e às cotas reservadas para esse porte.

MEI pode vender esses itens para o governo?

Pode, desde que a atividade registrada cubra o item e ele cumpra o edital. A Lei Complementar 123 diz no art. 18-E que "O MEI é modalidade de microempresa", então os benefícios de ME valem para ele. O guia sobre MEI em licitação detalha o assunto.

Quanto tempo tenho para mandar a proposta?

Pouco. Na leitura de 18/10/2026, metade das licitações abertas fechava em até 11 dias, segundo a página de prazos. Por isso compensa acompanhar todo dia, ou receber aviso automático, em vez de procurar só quando o caixa aperta.

Fontes

Dados do LicitaCerta lidos do PNCP em 18/10/2026, nas páginas de números, itens, ME e EPP e prazos; busca de editais do PNCP; Lei Complementar 123, de 2006; Lei 14.133, de 2021.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), dados abertos.

Licitações desse ramo, todo dia

Veja o que os órgãos públicos costumam comprar e quem tem vencido:

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